A palavra Corpo

Quando leio a palavra “Corpo” em alguma mídia feminina, é inevitável pensar imediatamente na última dieta da moda, em fotos de mulheres com barriga negativa, em cremes para tratamento da pele. Não é “desse” corpo que quero falar aqui. A magreza, o corpo dito perfeito, conceitos que nos são impostos, desfilando na rua ou nas passarelas, podem ocupar as páginas de revistas. Aqui, vamos ser mais livres.

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Quando penso em corpo, qualquer que seja qual sua forma e tamanho, penso no cuidado que devemos dedicar a ele, amorosamente, respeitando necessidades e limites. Afinal, vamos juntos pela vida afora. E quando penso em alimentação, penso em saúde, em nutrir para ter energia, para poder caminhar plenamente, estar no mundo.

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Desde sempre a correlação entre estados emocionais e bem-estar físico me fascina. Corpo, para mim, rima com alma. Não tem como separar.

A gente adoece de tristeza, emagrece quando se separa, irradia luz quando está apaixonada, exprime doçura e bondade através dos olhos. A gente descobre uma força desconhecida quando tem que enfrentar sozinha uma dificuldade, rejuvenesce depois de uma sessão de risadas com as amigas, encolhe quando briga com o filho.

É fácil saber quem é o líder de um grupo: basta olhar a postura. Quem ocupa mais espaço? Quem se retrai? Inconscientemente, todos nós fazemos leituras corporais. O corpo revela.

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Mas, e o que ele esconde? Quais memórias estão guardadas na nossa musculatura? E quais movimentos libertam? Acredito que a harmonia interna passe pela sintonia entre esses dois canais: emoção-pensamento e corpo físico. E sobre isso há muito a ser dito. Vamos caminhar juntas?

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Filme: O Quarteto

Anda difícil encontrarmos um filme inspirador e que não tenha cenas de pancadaria, não é? Pois “O Quarteto” é exatamente assim!

A história se passa em um luxuoso lar para músicos eruditos aposentados. Em meio aos ensaios para o espetáculo anual que os residentes fazem para arrecadar doações (que visam manter o lar aberto), chega à casa uma antiga diva da ópera. Sua vinda causa desavenças com o ex-marido que já estava hospedado lá e rusgas com antigas rivais de palco. Junte-se a isso o mal estar por sua recusa em participar do festival integrando seu antigo quarteto de vozes. 

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A história pode ser simples do ponto de vista dramático, porém, o que encanta são os atores e seus personagens. Todos velhinhos, aposentados, de cabelos brancos, e ensaiando seus instrumentos ou vozes, se mantendo ativos mesmo em meio às dificuldades de locomoção e perdas de memória.

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Aliás, a senilidade e a consciência da decadência – da voz que não é mais perfeita, dos dedos que não respondem como antes ao instrumento – são mostrados o tempo todo. E ver a luta deles para superarem os contratempos trazidos pela idade avançada é inspirador. 

A música é ponto alto: trechos conhecidos de óperas, estudos de Bach, uma delícia de ouvir. Destaque também ao cenário, que não poderia ser mais bonito: a casa de repouso é uma mansão inglesa belíssima, rodeada de jardins.

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A direção do filme (2012) é de Dustin Hoffman e os atores principais são os excelentes Maggie Smith, Tom Courtenay, Billy Connolly e Pauline Collins. Disponível no Netflix, não perca. Eu fiquei com o coração aquecido!  <3

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E aí, 50?

Pois é, depois de período longo de incubação, de tentativas e erros, estamos aqui (re)iniciando o blog que queremos fazer, um espaço para reflexão sobre corpo, moda, saúde e comportamento de quem encontra-se na estação da maturidade. Na verdade gosto da ideia de que o tempo, assim como o concebemos, não existe. Nós humanos instituímos o calendário e contamos a vida através de datas, da marcação da passagem do tempo, de nomenclaturas e categorias, mas já repararam que só nós fazemos isso?

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O Universo, assim como o nosso inconsciente, é atemporal; tudo ocorre simultaneamente, paralelamente, no eterno agora. A natureza segue o ritmo interno, muda com as estações, que não tem a ver com datas, mas com ciclos de nascimento, vida e morte. E os ciclos tem relação com a prontidão, com o instante em que algo já se esgotou e o novo ocupa seu lugar. Há primaveras frias, invernos chuvosos, verões mais secos, e tudo é possível porque as estações não seguem os padrões que nós estabelecemos, a vida não ocorre na separação do tempo, a vida pulsa além do tempo e do espaço.

Por isso este blog comporta todo mundo, independente da idade cronológica, já que o que vamos abordar aqui tem relação a um ciclo, a uma estação da vida, a vivências que podem acontecer dentro de nós a qualquer momento em que estivermos prontas para isso.

Sejam bem vindas, sentem-se aqui conosco, vamos olhar para nós mesmas, vamos entrar em nós e explorar esse Universo inteiro que anseia por manifestar-se, expressar-se e expandir-se. Vamos olhar para o passado com gratidão por todas as lições aprendidas, pela possibilidade da maturidade em alguns aspectos; para o presente com entusiasmo pelo que desejamos e podemos fazer agora, nos permitimos fazer agora, e para o futuro com muitos sonhos recém plantados no quintal de nossas almas!

Rhododendrons at Riga botanical garden

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