Segundo tempo, novas escolhas

Lembram-se quando estávamos na faculdade? Na passagem do primeiro para o segundo semestre acabávamos refazendo algumas escolhas, puxando algumas matérias, deixando outras para depois, reorganizávamos o horário e planejávamos um semestre um pouco diferente; vamos traçar um paralelo entre essa situação e o momento que estamos vivendo?

No primeiro semestre da entrada na vida adulta (ou até antes disso) fizemos uma série de escolhas que, acreditávamos, seria para o resto de nossas vidas. Escolhemos a faculdade que nos levaria ao exercício da profissão sonhada, escolhemos o companheiro ao lado de quem viveríamos e envelheceríamos, a cidade onde moraríamos, o círculo de amigos, o tipo de lazer e tantas outras escolhas. Quando ainda somos calouros em relação à vida costumamos imaginar que nossa existência acontecerá em um movimento contínuo de ascensão, afinal nos conhecemos e sabemos o que desejamos.

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A vivência ao longo do tempo tende a desconstruir essas certezas; vamos nos dando conta que dentro de nós habita um ser praticamente desconhecido, um enigma que nos desafia e, tal qual a esfinge no mito de Édipo, provoca-nos: decifra-me ou devoro-te!! Esse “eu” vai revelando-se aos poucos, brinca de esconde-esconde, é multifacetado, composto de luz e sombras, ambivalente, intenso. A cada estação da vida nos mostra uma face, pleiteia buscas diferentes, anseia por novas experiências; quando ainda estamos envolvidas com muitos papéis, como a profissional em começo de carreira, a mãe de filhos pequenos, a responsável por cumprir inúmeras obrigações do dia a dia, temos que sufocar a voz desse eu toda vez que ela não estiver de acordo com a lista das responsabilidades que assumimos.

Todavia o tempo passa, a carreira se consolida de alguma maneira, os filhos crescem, ganham asas, voam. Já não somos mais tão imprescindíveis na vida do outro, já há espaço entre nós por onde os ventos da vida circulam. Já é tempo de nos voltarmos para as necessidades que brotam de dentro de nós. Sabem todos aqueles projetos que foram adiados, os sonhos que talvez sequer tenhamos ousado sonhar, o tempo que não tínhamos ou a permissão interna que não nos concedemos para fazer o que queríamos? Pois é, a hora é essa!

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A descrição do mundo, com seus atrativos e suas urgências, já nos seduziu e nos fascinou o suficiente; já acreditamos um número incontável de vezes que a felicidade estava nos aguardando em algum canto fora de nós, e corremos feito loucas para encontrá-la. Quantas vezes a vontade do outro colocou-se soberana sobre a nossa vontade, e nem sempre à nossa revelia, pois acreditávamos que isso poderia nos fazer feliz? E talvez tenha feito mesmo, naquele momento isso era importante.

Mas e agora? O que de fato é importante? Vamos nos reavaliar? Quais as nossas prioridades e desejos? O que nossa alma anseia por experimentar? Que dívidas contraímos com nossa criança interior?      

É tempo de olharmos para nós mesmas e nos presentearmos com todas as promessas que ficaram embrulhadas, esperando o momento de serem abertas e realizadas. É tempo de refazer as escolhas, manter o que ainda tem significado, mudar a rota do que não nos atende mais. Vamos ousar, abrir as asas e alçar voo, vamos nos permitir a liberdade de experimentar novos sabores, novos perfumes, novos encantamentos. A vida está sempre pronta a nos surpreender.

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Três senhoras que vão te fazer levantar do sofá! (Nem que seja de vergonha…)

Yoga aos 105
A britânica Eillen Ash tem 105 anos, o que por si só já é um marco. Mas ela não se impressiona com sua idade. Sai de casa, dirige e estaciona seu carro sem hesitação. Vai praticar yoga. “Faz bem para o cérebro, porque você tem que pensar. E fortalece os músculos.” declara. Alegre, lúcida, falante. Ganhou meu coração com seu sorriso e sua disposição de viver. Toma duas taças de vinho diariamente. (Fica a dica!) 😉

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Passeadora de cachorros aos 97
Outra inglesa encantadora: Sally, com 97 anos passeia todo o dia 10 cachorros (é isso mesmo, nada menos do que dez, um de cada vez!)
Ela não suporta ficar em casa o dia inteiro. Começou passeando os cachorros dos vizinhos. Há 40 anos é voluntária no abrigo de cães, levando-os para passear cotidianamente pelos arredores. (E pensar que me dá preguiça de sair com minha Golden, a Myla…)
Declara em alto e bom som: “Não me sinto diferente do que quando tinha 50 anos. A idade é apenas um número. É preciso se manter em movimento.”

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Viajante aos 91
Norma é outra senhora que nos dá um banho de sabedoria. Diagnosticada com câncer, toma a decisão de aproveitar o tempo que lhe resta. Rejeita a operação e a quimioterapia e decide viajar pelos Estados Unidos, em companhia de seu filho e nora. Durante um ano, conheceu vários estados e aproveitou cada minuto. Faleceu em setembro desde ano, mas inspirou e continua inspirando várias pessoas a viver plenamente.

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Essas lindas mulheres são exemplos de saúde física e mental. Tomam decisões, seguem pela estrada que escolheram. Estão integradas e participam da sociedade onde vivem. Fazem a diferença.

Estamos envelhecendo. E daí? Cada dia é um presente quando a gente decide estar vivo de verdade. Carpe diem!

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+50 e a Moda

Vocês sabiam que há várias blogueiras de +40 e +50 anos que fazem posts de look do dia? As que sigo são inglesas, americanas ou alemãs; não encontrei nenhuma brasileira +50 para por nessa lista, o que é uma pena. 

Coloquei uma foto por blog para vocês terem uma ideia do estilo de cada uma, pois assim fica mais fácil para escolherem qual site podem querer visitar.

Bom que as mulheres estão se reinventando tão bem, não importando a idade, né? Vamos lá?

A Pocketfull of Polka Dots – Jennie, a forty something gal, energética com seu cabelo em tom super vermelho. Gosto de suas montagens e da alegria que ela  imprime aos looks. Dramática!

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The Sequinist – Lisa tem 47 e como o nome do blog já diz, é a louca por paetês. Estou com ela!! Adorei a combinação da saia de paetês prata com blusa camuflada. Quem diria que isso poderia ficar tão bonito?

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I Won’t Wear Sludge Brown – Donna é minha blogueira favorita da vida! Ela está completando 50 este mês, mora na Inglaterra, tem um humor ótimo, e excelente base para cores. Seus posts de definição de estilos são os melhores que já li. Não perca!

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Wardrobe Oxygen – Alison Gary tem só 41 anos. Inclui-a na lista porque ela tem um corpo mais cheio e é bom vermos alguém assim real, que não tem corpo de modelo. O legal é que isso não a impede de usar bota alta, roupa justa, o que der na cabeça, o que é inspirador para todas. Neste look a manta gráfica foi uma ótima ideia para tirar o jeans e camiseta da mesmice.

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Not Dead Yet Style – Patti é uma blogueira com mais de 60 anos. Achei incrível a ousadia da saia super colorida. Linda! Usaria como ela montou, menos o cinto e o colar de pérolas. Bem resolvida, né?

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A Well Styled Life – Jennifer não divulga idade; uns +50? Escolhi essa foto pelo fato da camisa longa ser de veludo. Acho um tecido maravilhoso e que dá profundidade e riqueza ao look.

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Over 50 Feeling 40 – Pam também tem um corpo pesado e um estilo mais matronal. Dá para perceber que ela se obriga a sair da zona de conforto, como neste look em que misturou couro e uma cor viva.

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No Fear of Fashion – Blogueira alemã, olha que coisa legal! Greetje Kamminga nasceu em 1954 e escreve (em inglês, ufa!) de uma forma super gostosa de ler. Essa blusa de paetês usada de forma casual é um dos meus looks preferidos dela.

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Lady of Style – outra blogueira alemã, Annette, 54. Aqui só consigo ver fotos, ela escreve em alemão. Tem um estilo mais formal e está sempre muito bem arrumada.

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The Barefaced Chic – Do Reino Unido, Michelle Lyndon-Dykes é celta e tem +50. Achei incrível como ela colocou em camadas uma blusa vermelha, uma camisa longa de tecido bem fino (voil?) e uma malha de lã listrada em cores básicas e lindas. Criativa!

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Midlife Chic – Nikki Garnett tem 48 e um estilo clássico. Seu blog é legal por dar muitas opções de outfits, ela tem bastante bom gosto. Amei a blusa prateada com manga até os cotovelos, combinando com o sapato  super chique. Aliás, queria essa blusa AGORA!

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Elegance Revisited – Tiina não conta a idade, se define como uma “Ageless Diva” 😀 – Ela é bem ousada nas combinações de cores e acessoriza muito seus looks. Detesta frio mas passa uma boa parte do ano debaixo de neve, na Finlândia.

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Então, esses são os perfis que escolhi para dividir com vocês. Acredito que todo mundo vai encontrar ao menos uma blogueira que a inspire nos dias de menos ideias.

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Você já encontrou sua tribo?

Faço parte de um grupo de estudos transdisciplinares. Esse grupo surgiu há alguns anos dentro de uma universidade, entre professores interessados em adquirir conhecimentos diversos. Depois migrou para fora da instituição, e hoje nos reunimos semanalmente no espaço de um amigo querido que participou da fundação desse grupo e que o coordena, muito embora sejamos todos responsáveis por ele.

De fato é um grupo transdisciplinar; na primeira hora fazemos meditação intercalada com sugestões dos participantes, seja dança, movimentos corporais, alguma criação artística. Depois fazemos a leitura de um livro escolhido pelo grupo e, cada parágrafo lido, abre espaço para a discussão, tudo com muito humor e muitas risadas.

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Mas o que mais me encanta nesse grupo é a afinidade e a amorosidade, de tal maneira que as quintas-feiras, que é o dia do nosso encontro, acabam sendo especiais. Sentamos em círculo, nos olhamos nos olhos, falamos sobre a vida e o viver, trocamos impressões e afeto; me sinto como uma velha índia que junta-se à sua tribo.

Durante a vida cruzamos com um grande número de pessoas com quem compartilhamos o tempo. Já nascemos inseridos dentro do grupo familiar; depois, ao entrarmos na escola, passamos um longo período com outras crianças que também foram lá colocadas, e naturalmente nos aproximamos de algumas com quem temos afinidades. Depois vem o grupo da faculdade, do estágio, do trabalho, o grupo social, o dos vizinhos, dos colegas de profissão, dos pais dos amigos dos filhos e assim por diante. Próximos ou não, aprendemos a administrar essas relações. Às vezes temos sorte de conviver com pessoas que agregam, às vezes não.

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Depois de percorrer a maratona dos primeiros cinquenta anos, vencidas algumas centenas de obstáculos, conquista-se a possibilidade de desenvolver um olhar novo e diferente sobre nós mesmos e a vida. Parece que há uma apuração do paladar emocional e energético, e já não nos interessa estar com pessoas que não nos toquem e que não possam ser por nós, tocadas.

Há um desejo de trocas mais intensas e profundas que nos ajude a desconstruir armaduras, a abandonar as armas da retórica e das argumentações convictas. Há uma necessidade de calma, de degustar o olhar do outro, sentir sua respiração, silenciar a própria voz para poder ouvir. Já pouco

interessa o embate, a queda de braço, o competir e triunfar sobre; a alma pede por aconchego e partilha.

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Permita-se encontrar sua tribo, mantenha-se longe das pessoas chatas e barulhentas, dos personagens do baile de máscaras, com quem muitas vezes rodamos na pista por um longo tempo, de uma maneira totalmente automática e entediada. Se dê ao direito e ao prazer de estar rodeado por gente que é fruto das escolhas do seu coração, irmãos e irmãs de alma, amigos com quem você possa exercitar-se como ser humano e aprimorar-se nessa categoria.

Depois de tantos tropeços pela experiência adquirida é hora de resignificar relações, restabelecer vínculos , encontrar a si mesmo e ao outro. Encontro é transformação, mudança. E tudo que está vivo cresce e se transforma!

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Cuidados pessoais essenciais

Sabe aquela conversa sobre horário biológico? Tenho certeza de que é verdade, pois descobri que acordar às 6 horas da manhã, como tenho feito ultimamente, é algo totalmente contrário à minha natureza. A cada manhã, saio de casa de cara lavada e olhos parcialmente abertos. Quase não me reconheço. Cadê aquela pessoa que era incapaz de ser vista sem ter passado delineador? Aquela que levava um tempo enorme na produção? Pois é, às 6 horas da manhã ela não existe.

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Esse estado de descuido fez com que eu me perguntasse: quanto tempo dedico a mim mesma? Quanto tempo, aos outros? Constatei, então, que faz um mês que não faço as unhas, nem as sobrancelhas, que estou precisando urgentemente pintar o cabelo, mas só de pensar já fico com preguiça, que quase não toco mais piano ou leio sem ser interrompida. As obrigações com filho, marido, cachorra, casa, comida, pais, trabalho… (ufa!) acabam levando a melhor. E embora uma atitude de atenção para com o entorno seja positiva, um exagero nesse sentido não é.

Sei de muitas amigas que passam pela mesma situação. A dedicação aos outros e a rotina pesada fazem com que se esqueçam de si mesmas. Você também é assim? Pois bem, para recuperar a boa disposição e a saúde integral é preciso equilibrar essa balança, ou seja, se colocar na própria agenda. A boa notícia é que o processo é bem agradável: vamos ter que aprender a dosar o tempo dedicado às tarefas com o tempo pessoal, reservar um momento para nos cuidarmos, nos divertirmos, para colocarmos o prazer em meio às obrigações. Quero fazer essa “lição de casa”. E você?

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