Arrumação dos sapatos

Desde que conheci o primeiro livro da Marie Kondo [leia Kôn-do] e fiz arrumação geral das minhas roupas, estava em débito para fazer o mesmo com os sapatos.

Deveria ser um processo bem mais fácil… Afinal, não há que experimentar tudo, é só olhar e definir o que fica e o que vai. No entanto, passei meses (mais de um ano) antes de criar coragem para mexer nesse nicho, e só consegui avançar depois de ter angariado a ajuda da minha irmã e de ter definido claramente qual o critério de escolha.

Para quem gosta de sapatos muito peculiares (coloridos, com cristais, com bordados, etc.), a coleção que se acumula ao longo do tempo parece ter um significado especial: como doar um sapato de estampa pied-de-poule? Ou um roxinho? Como vou ficar sem essas “opções” no guarda-roupa? [risos]

Foto: Sarah Jessica Parker shoes

Então, já que não havia como me desapegar espontaneamente de modelos tão diferentes, o critério foi Qualidade. Ficaram os de bons sapateiros (dos pares nacionais ficaram todos os da Tatiana Loureiro, com louvor!) enquanto os sapatos de feitio não tão esmerado, os repetidos em cor ou os desgastados foram separados para doação.

Que alívio quando terminamos! Saber que agora é só retirar qualquer um do armário que ele estará bonito e perfeito, é uma sensação ótima.

Sinceramente? Lamento não ter feito isso a mais tempo. Portanto, fica a dica: aplique já o método Konmari em seus pertences. A gente até respira melhor quando destralha! ?

 

Obs.: Este post apareceu primeiro no blog Pílulas de Moda e foi escolhido para republicação aqui devido minhas férias.

Para Sempre

  • Carlos Drummond de Andrade
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
.

Sandro Mattos: a transformação dançante

Você já pensou em transformar sua vida dançando?

Sandro Mattos, há 20 anos bailarino, coreógrafo, fantástico professor (digo por experiência própria) sabe exatamente como fazer isso.

Pessoalmente, ele sempre havia visto a dança como um fator transformador. Suas coreografias eram o resultado de um trabalho de escuta interior.

“A minha terapia era essa. Eu tratava de resolver tudo ali.”

Começou no Raça, companhia de dança no Brasil e depois disso trabalhou por 15 anos na Argentina. Mas, como professor de jazz contemporâneo seguia a norma tradicional de ensino. Criava uma coreografia que deveria ser aprendida e reproduzida pelos alunos. No entanto, pouco a pouco esse trabalho da forma pela forma parou de fazer sentido.

Estudou, então, com Maria Fux, a pioneira da Dançaterapia e foi no contato com ela e com seu trabalho que suas crenças foram totalmente alteradas. Lá, viu pessoas de idade avançada, crianças, pessoas com deficiência, todos Dançando!

“Eu achava que a dança era para algumas pessoas e de repente descobri que a dança é para todo mundo.”

A partir daí Sandro aprofundou-se no caminho da dança como fator transformador. Fez a formação em coaching que utiliza como uma ferramenta a mais em suas aulas. Seu objetivo é a integração do ser que é Corpo, Linguagem e Emoção. Assim, na sala de dança ele usa esse conhecimento para fazer o aluno estar inteiramente presente. Ele observa que o movimento não mente.

“A gente pode mentir, mas o corpo não consegue. Tudo sai por ele e é essa a transformação que eu vou vendo. Quando venho dar aula, eu tenho um material preparado, mas ele está aberto. Eu vou primeiro sentir as pessoas e vejo que material eu posso colocar e que material posso tirar. Hoje, minha aula é de uma outra maneira, uma outra concepção. Eu ainda tenho a coisa da forma, claro, só que hoje eu não fico na forma pela forma. Antes tinha que ser tudo mundo perfeito, todo mundo igualzinho e hoje a perfeição é aquilo que é genuíno. O meu conceito de beleza mudou.”

Saio de suas aulas sempre mais feliz do que entrei. É meio mágico! Isso não é tudo. Ele também trabalha como Coach! Mas, isso fica para o próximo post… Não perca: na próxima quinta-feira

Um tempo para não fazer nada

Olhem que interessantes este dois posts sobre como aproveitamos nosso tempo:

4 Absurdly Easy Things I Do That Make Life Disproportionately Better

O que estamos falando aqui é da “arte” de não se fazer nada. Nós, humanos, temos por hábito nos ocupar o tempo todo. Veja sua agenda: aquele espacinho vazio ali não está lhe incomodando?

Imagine separar um dia inteiro na semana, ou então alguns minutos todos os dias, para ficar só com seu eu interior: sem trabalhos, sem celular, sem tv, sem distrações externas.

Por estar trabalhando somente em suporte às Empresas e não indo mais à Sede todos os dias, me sinto meio de férias eternas. E mesmo assim… preencho o tempo com afazeres, seja ler, escrever, me atualizar. Como será ficar totalmente desconectada das rotinas diárias?

Uma forma conhecida e provada de conseguir isso é a meditação. Você se torna mais presente e mais centrada com esse hábito. Mas, e quem não consegue meditar? [eu fico desesperada com o “inspire-expire”, em pouquíssimo tempo me sinto sem ar! Vai entender…]

Mesmo para quem não vê como incorporar a meditação à rotina, ficar somente alguns minutos parado sem qualquer estímulo está sendo considerado como de caráter francamente benéfico. O segundo artigo diz para sentar no chão e somente deixar a vida correr, por em média 20 minutos diários. Ouvir os pássaros ou a barulho do motor da geladeira, não importa. Somente descanse a mente.

Vou incorporar essa dica à 2017. Simples e, pelos relatos dos artigos citados, muito positivo. Você topa?

Obs.: Este post apareceu primeiro no blog Pílulas de Moda e foi escolhido para republicação aqui devido minhas férias.

Todas As Vidas

– Cora Coralina –
Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho,
olhando pra o fogo.
Benze quebranto.

Bota feitiço…

Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo…
 
Vive dentro de mim
a lavadeira do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d’água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde de são-caetano.
 
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem-feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
 
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada, sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
 
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
– Enxerto da terra,
meio casmurra.
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem chiadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.
 
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha…
tão desprezada,
tão murmurada…
Fingindo alegre seu triste fado.
 
Todas as vidas dentro de mim:
Na minha vida –
a vida mera das obscuras.
.