Esquisitices

Sentei em frente ao notebook buscando inspiração para escrever o texto de hoje, mas devo confessar que está difícil. As ideias surgem na minha cabeça, mas nenhuma delas me arrebata o suficiente para ser escolhida e burilada. É como se eu caminhasse por um imenso jardim cheio de canteiros com flores variadas, admiro-as, algumas me atraem mais, outras menos, mas nenhuma me detém.

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Há dias em que nos sentimos assim, como andarilhos percorrendo o caminho dos pensamentos, ou talvez eles, os pensamentos, se comportem como andarilhos inquietos se movendo em nossas cabeças, ciganos e fugidios, feito paisagens que desfilam diante de nosso olhar através das janelas do trem. Sabe aquele dia em que você vai ao shopping, experimenta blusas e sapatos, e sai sem sacola alguma porque nada parece satisfazer?

Pois é, acho que isso acontece com todas nós, mas… por que? A primeira ideia que me ocorre é que, nesses dias, estamos ausentes de nós mesmas! Por alguma razão, frequentemente inconsciente, emitimos um sinal de ocupado, não estamos disponíveis, não estamos presentes no aqui e no agora, entra o piloto automático que nos governa através do dia e somos capazes de realizar todas as tarefas rotineiras, mas temos dificuldade em estabelecer a conexão interna. Se eu não estou me comunicando comigo mesma neste momento, como poderei me expressar e me comunicar com o outro? Como poderei abrir as comportas do processo criativo e fazê-lo fluir?

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Nos sentimos esvaziadas, desconectadas parcialmente da vida, vagando feito almas penadas entre o nada e coisa nenhuma. Enquanto não fizermos um mergulho dentro desse estado emocional esquisito, para poder entrar em contato e compreender o que está acontecendo, ficamos imobilizadas nele. Quando nos falta vivência, nos obrigamos a continuar “no mundo” apesar dessa ausência em nós, e o resultado tende a ser desastroso. Tumultuamos as relações e projetamos no outro a razão da confusão, discutimos, nos perdemos, não encontramos a chave do carro, a conta a ser paga, salgamos a comida, adentramos por conversas improdutivas que só nos fazem criar distancia ainda maior do centro da questão, que, via de regra, é interno.

A vantagem da maturidade pode ser aproveitada nesses momentos. Poder silenciar e voltar-se para dentro é uma boa alternativa. Permitir-se o recolhimento, nem que seja por alguns minutos, o recuo para recuperar a energia e poder voltar a circular. Não temos que representar o mesmo personagem o tempo inteiro, precisamos reconhecer nossas limitações e necessidades, respeitar o ritmo interno sem que isso seja interpretado por nós mesmas como fracasso ou incompetência.

É mais produtivo adiar aquela conversa, deixar para retornar o telefonema mais tarde, remarcar o almoço com a amiga em outro dia, afinal o mundo aguenta ficar sem nós. Somos nós que não aguentamos atuar no mundo quando nos encontramos desconectadas. Eu preciso estar em mim e comigo para poder estar com o outro; do contrário não há a menor possibilidade de empatia. Vamos usar nossos recursos de acordo com a lei da economia de energia, vamos nadar a favor da correnteza, poder boiar quando nos falta força até retomarmos o folego e, a partir disso, conseguir novamente sair nadando de braçada pelas águas correntes da vida!

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O poder feminino e a mulher selvagem

O dia tem 24 horas, mas precisaria ter mais. Diante de nós, uma quantidade enorme de atividades. Somos mulheres que trabalham, cuidam da família, educam crianças, lidam com o dia a dia atribulado. Seres urbanos.

O que restou da mulher selvagem? Das mulheres que sabiam curar e que liam o mundo através da intuição e da sabedoria transmitida por suas ancestrais? E por que eu preciso dela?

Apesar de toda a tecnologia e do ritmo frenético que se impõe pela comunicação quase instantânea, nós, mulheres, continuamos a ser seres da natureza, seres que se conectam ao tempo, às estações, aos momentos, seres que leem as energias. Somos assim.

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A mulher selvagem é a parte dentro de nós que traz a sabedoria da alma. É aquela além do tempo, que enxerga o que os outros não veem, porque sai da visão banalizada, sai do estado de dormência ao qual estamos imersos. Vai buscar no centro do seu ser, na sua ancestralidade, o espaço secreto onde reside sua força e determinação, de onde resiste as intempéries, às injustiças, à violência e de onde extrai as respostas, as saídas, os canais que a levam para a luz. Esse local está dentro de nós. Dentro de cada uma de nós, reside uma bruxa, uma curandeira, uma cozinheira sagrada, uma xamã. Nós cozinhamos para curar, cantamos para fazer dormir, ensinamos os filhos do corpo e todos aqueles que precisem. Somos assim, seres da natureza, seres que buscam estar em equilíbrio. Antes, no passado distante, vivíamos em matriarcado. A marca do feminino é a colaboração, a associação.

Hoje, o mundo está em plena ebulição. De um lado, mulheres e homens compartilhando poderes e responsabilidades, mulheres dirigindo empresas e países. De outro, há ainda o jugo masculino, mulheres impedidas de estudar, submetidas à lei que as priva de todo direito.

E embora, a aparência nos faça crer que entre essas duas realidades nada exista em comum, partilhamos a mesma biologia, o mesmo instinto de vida. Cada uma dessas mulheres, com experiências tão diversas, intui que deve preservar o lugar secreto de onde extrai a força, para onde vai quando nada mais faz sentido, onde encontra sua forma primitiva: a mulher selvagem, aquela capaz de desbravar e vencer qualquer obstáculo. Nunca, nunca se desconecte dela.

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As lindas bijoux de Claudia Arbex

Você, minha amiga +50, gosta de peças de bijuteria ou só usa joias? E outra pergunta: colares, anéis e pulseiras fininhos ou ousa em acessórios statements?

Se você aprecia uma bela bijoux de alta qualidade, eis mais uma loja para visitar antes de fechar sua próxima compra: abriu uma Claudia Arbex no Shopping Pátio Higienópolis (SP) e as opções estão belíssimas.

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Nesse mesmo shopping, para melhorar , há uma loja Camila Klein, marca conhecida de longo tempo, cujas peças têm acabamento e design primorosos. Tenho diversos artigos dela que continuam perfeitos mesmo após anos da compra.

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O interessante é que essas duas designers têm em comum uma estética bem parecida: peças com cristais Swarovski, uso de metais sem níquel (elemento que pode dar alergia de contato), muito rebuscamento e ousadia nas montagens. A maioria das bijoux são statement – grandes, “aparecidas”- mas também dá para encontrar alguns itens delicados.

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Os preços são altos, sim. Aliás, os da Camila Klein são mais elevados que os da Claudia Arbex. Porém, as peças das duas são lindíssimas e muito exclusivas, você vê pelo material e detalhes que são itens de qualidade superior.

Com +50 precisamos priorizar qualidade em tudo que usamos, não dá para sair com algo de condição duvidosa.

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Você só usava joias? Pois considere dar uma chance a estas bijoux de primeiro mundo com desenho nacional.  #apaixonantes

[Fotos: site Claudia Arbex; escolha das peças e montagem: Eai50]

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Impermanência

Esta semana ficamos frente a frente com a constatação da impermanência; não há nesse conceito nenhuma novidade. Diga-se de passagem, morrer é a única certeza que temos durante a vida, e mesmo assim é um dos mistérios mais difíceis de compreender e aceitar.

Quando nos deparamos com a morte de pessoas idosas, que já viveram muito e percorreram um longo caminho de aprendizado e realizações, talvez tenhamos um pouco mais de disponibilidade em acolher essa ideia; mas o mesmo não acontece quando pessoas jovens, recém ingressas na vida adulta, partem de maneira inesperada. Presenciamos a comoção e a dor que a partida desses jovens jogadores e jornalistas causou em todos nós, independente de sermos ou não fãs do futebol. Pessoas que partem cedo desta jornada parece que deixam apenas um esboço do que viriam a ser, experimentam apenas um pouco de todos os sabores da vida, ensaiam passos que não poderão apresentar. É como se fossem retirados do imenso salão quando a orquestra mal começou a tocar, a festa apenas se anuncia, o melhor ainda está por vir.

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De qualquer maneira fatos como esse nos fazem repensar a forma como estamos vivendo nossas vidas. Há quem diga que somos viajantes do tempo e do espaço, estamos aqui de passagem, viemos com o objetivo de vivenciarmos uma série de coisas e aprendermos com isso, para depois voltarmos para casa. Seja lá qual for a nossa crença, é certo que estamos de passagem, que um determinado dia vamos partir, e que todos ou outros incontáveis dias nos é dado viver.

Viver insinua uma experiência subjetiva, relativa, que traz em si um prisma de cores e nuances diferentes para cada um de nós. Há os que se dispõe apenas ao feijão com arroz de cada dia, o cumprir o trajeto percorrido e conhecido, os “certinhos” que batem ponto no cartão da vida. E lá vem Chico Buarque cantarolando na minha memória …”todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode às seis horas da manhã, me sorri um sorriso pontual, e me beija com a boca de hortelã.”

Há também os sonhadores, que não aceitam a descrição do mundo tal qual ele se apresenta, que imaginam que deve haver uma outra maneira, um outro lugar, um outro aroma, sabor, temperatura, os inquietos por natureza e convicção. Os que se aventuram para além dos muros e cercas, que pintam a cara, o cabelo, o corpo, que misturam tintas sempre em busca da descoberta de novas tonalidades.

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Há o ateu e o crente, e há também quem viva a vida não acreditando em nada, graças a Deus! Há quem junte dinheiro e quem junte esperança, há quem invista em ações e quem invista em relações, há o que coleciona mágoas e o que coleciona momentos, quem se aventura e quem se esconde, quem se declara e quem se protege. Alguns vivem a vida transpirando emoção, gostam de pele, de toque, beijos e abraços; outros são reservados, racionais, mantem-se distantes, preservam-se.

Mas no frigir dos ovos, no momento da travessia da ponte que nos levará para a outra margem do rio, o que levaremos daqui? Qual o peso ou a leveza de nossa bagagem? Se acaso alguém estiver nos esperando do outro lado, o que teremos para contar? O que teremos para compartilhar?? O que diremos a nós mesmos quando o silêncio deste mundo nos envolver? Tomara possamos viver de tal maneira a própria vida que tenhamos muitas e boas estórias para contar!

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A Roda da Vida

A vida é, definitivamente, dinâmica. Cada mudança nos traz novos fatores para analisar, novas formas, novas possibilidades. E é bom que seja assim. No entanto… Como resistimos às mudanças, mesmo quando elas são necessárias, mesmo quando dizemos gostar delas! A razão é muito simples: inércia, medo do novo, hábito do velho.

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Nos acomodamos como gatos em um velho sofá de uma casa e somos capazes de passar lá uma vida inteira, a não ser que a Vida nos jogue para fora, quer por excesso de dor, quer por algum imprevisto, por uma circunstância nova que se impõe e nos obriga a reagir, sem sequer poder argumentar. Assim é. E lá vamos nós, meio contrariados, meio contrafeitos, a contragosto, rumo ao desconhecido, esse, aparentemente, eterno inimigo que nos espreita de olhos semicerrados.

Pois é aí que mora o erro. A mudança não é necessariamente ruim, nem o desconhecido é inimigo. Dependendo da forma como se encara, o desconhecido é, na verdade, um grande aliado. É ele que traz emoção à vida, uma certa surpresa, um toque de pimenta no dia a dia já macerado por excesso de uso e de repetição.

Como fazer, então, para transformar mudanças indesejáveis em motores de realização?

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Primeiro: Analisar. Há algum aspecto positivo nesta nova condição? Qual? Há algum aspecto negativo? Qual? É possível estimular o positivo e neutralizar o negativo?

Segundo: ver-se como co-criador. De alguma forma eu desejei essa/alguma mudança, através de pensamentos, palavras ou atos?

Terceiro: Graças a essa nova condição posso me aproximar daquilo que desejei? Posso, através dessa mudança, criar algum aspecto mais positivo na minha vida?

A Vida é plena de potencialidades, de possibilidades. Olhar para elas com um sorriso nos lábios, de braços abertos, é talvez a melhor forma de existir.

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