No caminho

Com o final do ano se aproximando, é meio automático fazermos o balanço do que vivemos, do que foi bom e do que precisamos melhorar.

Pessoalmente, acabo sempre me recriminando por minha falta de obstinação, por me entusiasmar e depois ir abandonando as atividades aos poucos, geralmente por estar cansada demais ou ocupada demais. Bem no meio de um momento de feroz autocrítica, li o livro “No caminho – fragmentos para ser o melhor”, de Maria Júlia Paes da Silva.

grd_34564_15133Nele, a autora relata seu trabalho diário, persistente, de todo dia cumprir aquilo que se determinou a fazer e o resultado desse esforço. A caminhada é cotidiana, o compromisso consigo mesmo é refeito a cada dia, ano após ano. O resultado é visível, é real.

Sei disso porque conheço Maria Julia e constato a veracidade de suas palavras. Admiro sua postura equilibrada e bem-humorada diante da vida. Ver uma pessoa próxima manter seus compromissos internos e executá-los coerentemente, me deu mais vontade de fazer o mesmo. Deixou de ser algo impossível. Tornou-se prróximo, concretizável. Está ali, presente na próxima decisão, entre comer um doce ou uma fruta, entre ler ou assistir televisão, entre fazer uma caminhada ou deitar e descansar um pouco.

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Não há resposta correta. A cada momento, temos que respeitar nossa realidade. No entanto, se quero melhorar meu condicionamento físico, sei que devo escolher caminhar mais vezes do que me deitar na rede de balanço. Isso é ser coerente.

Aquele projeto de começo de ano (às vezes, do começo de todos os anos) de fazer ginástica e emagrecer, não será alcançado se for passageiro. A primeira semana na academia pode ser seguida de várias semanas de ausência se nosso propósito não for real, ou se ele for imediatista. Mas ele pode ser lindamente realizado se optarmos por dar pequenos passos, todos os dias, sem nunca tirar os olhos do objetivo.

Espero que o livro “No Caminho” inspire muitas pessoas, assim como me inspirou, ensinando que cada passo, por pequeno que seja, é fundamental quando estamos criando nosso destino.

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Como envelhecer

Este é um livro da coleção The School of Life, uma série que aborda temas relevantes e informativos, que interessam à maioria das pessoas. A autora, Anne Karpf, é escritora, socióloga da saúde, jornalista premiada, locutora, professora adjunta de redação profissional e pesquisa cultural na London Metropolitan University e escreve artigos regularmente para jornais e revistas.

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O livro se inicia mostrando que hoje em dia pessoas com 30 anos, às vezes até 20 anos, já estão preocupadas com envelhecimento, enquanto muitos da faixa de 50-60 estão encarando fazer quaisquer intervenções que os deixem com aparência mais jovem. Na verdade, diz a autora, “todos estão sofrendo da mesma dolorosa condição: um medo profundo de envelhecer”.

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O que ela nos faz entender é que o envelhecimento é algo presente por todo o ciclo da vida, está acontecendo a todo momento para todas as pessoas. Não tem sentido determinar uma idade na qual chegamos à barreira do envelhecimento, como se fosse algo exclusivo da última década de nossa vida.

“Envelhecer é viver e viver é envelhecer, e ser anti-idade (como muitos produtos, cheios de orgulho, dizem ser) é o mesmo que ser antivida.”

O que devemos combater é a falta de habilidade de mudar, e não o envelhecimento em si. Ficam melhores as pessoas que são capazes de se livrar de ideias fixas e ter flexibilidade de pensamento.

“Na nossa cultura, sentir que tem a própria idade é sinônimo de se sentir mal e sem vitalidade. Agora imagine se significasse sabedoria e experiência.”

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Achei o livro muito bom, mostra que devemos ansiar por combinar com nossa idade real e não ficar tentando burlar um processo biológico que é inevitável. As pessoas ficam cada vez mais únicas à medida em que ficam mais velhas, pois têm mais bagagem específica, tanto cultural como de vivência. Precisamos tirar a impressão de que envelhecer é ficar doente e incapaz. Isso é uma visão deturpada que faz com que todos temam ganhar idade e é ótimo para companhias que lucram em cima dessa ideia: indústrias farmacêutica e de cosméticos, clínicas especializadas em plásticas e dermo-procedimentos, etc.

O texto foi muito bem escrito e é empoderador. Se você tem +50, leia. Você vai gostar!

{Comprei o e-book pela Amazon, a R$16,88. O livro físico está R$22,32}

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Segundo tempo, novas escolhas

Lembram-se quando estávamos na faculdade? Na passagem do primeiro para o segundo semestre acabávamos refazendo algumas escolhas, puxando algumas matérias, deixando outras para depois, reorganizávamos o horário e planejávamos um semestre um pouco diferente; vamos traçar um paralelo entre essa situação e o momento que estamos vivendo?

No primeiro semestre da entrada na vida adulta (ou até antes disso) fizemos uma série de escolhas que, acreditávamos, seria para o resto de nossas vidas. Escolhemos a faculdade que nos levaria ao exercício da profissão sonhada, escolhemos o companheiro ao lado de quem viveríamos e envelheceríamos, a cidade onde moraríamos, o círculo de amigos, o tipo de lazer e tantas outras escolhas. Quando ainda somos calouros em relação à vida costumamos imaginar que nossa existência acontecerá em um movimento contínuo de ascensão, afinal nos conhecemos e sabemos o que desejamos.

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A vivência ao longo do tempo tende a desconstruir essas certezas; vamos nos dando conta que dentro de nós habita um ser praticamente desconhecido, um enigma que nos desafia e, tal qual a esfinge no mito de Édipo, provoca-nos: decifra-me ou devoro-te!! Esse “eu” vai revelando-se aos poucos, brinca de esconde-esconde, é multifacetado, composto de luz e sombras, ambivalente, intenso. A cada estação da vida nos mostra uma face, pleiteia buscas diferentes, anseia por novas experiências; quando ainda estamos envolvidas com muitos papéis, como a profissional em começo de carreira, a mãe de filhos pequenos, a responsável por cumprir inúmeras obrigações do dia a dia, temos que sufocar a voz desse eu toda vez que ela não estiver de acordo com a lista das responsabilidades que assumimos.

Todavia o tempo passa, a carreira se consolida de alguma maneira, os filhos crescem, ganham asas, voam. Já não somos mais tão imprescindíveis na vida do outro, já há espaço entre nós por onde os ventos da vida circulam. Já é tempo de nos voltarmos para as necessidades que brotam de dentro de nós. Sabem todos aqueles projetos que foram adiados, os sonhos que talvez sequer tenhamos ousado sonhar, o tempo que não tínhamos ou a permissão interna que não nos concedemos para fazer o que queríamos? Pois é, a hora é essa!

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A descrição do mundo, com seus atrativos e suas urgências, já nos seduziu e nos fascinou o suficiente; já acreditamos um número incontável de vezes que a felicidade estava nos aguardando em algum canto fora de nós, e corremos feito loucas para encontrá-la. Quantas vezes a vontade do outro colocou-se soberana sobre a nossa vontade, e nem sempre à nossa revelia, pois acreditávamos que isso poderia nos fazer feliz? E talvez tenha feito mesmo, naquele momento isso era importante.

Mas e agora? O que de fato é importante? Vamos nos reavaliar? Quais as nossas prioridades e desejos? O que nossa alma anseia por experimentar? Que dívidas contraímos com nossa criança interior?      

É tempo de olharmos para nós mesmas e nos presentearmos com todas as promessas que ficaram embrulhadas, esperando o momento de serem abertas e realizadas. É tempo de refazer as escolhas, manter o que ainda tem significado, mudar a rota do que não nos atende mais. Vamos ousar, abrir as asas e alçar voo, vamos nos permitir a liberdade de experimentar novos sabores, novos perfumes, novos encantamentos. A vida está sempre pronta a nos surpreender.

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Três senhoras que vão te fazer levantar do sofá! (Nem que seja de vergonha…)

Yoga aos 105
A britânica Eillen Ash tem 105 anos, o que por si só já é um marco. Mas ela não se impressiona com sua idade. Sai de casa, dirige e estaciona seu carro sem hesitação. Vai praticar yoga. “Faz bem para o cérebro, porque você tem que pensar. E fortalece os músculos.” declara. Alegre, lúcida, falante. Ganhou meu coração com seu sorriso e sua disposição de viver. Toma duas taças de vinho diariamente. (Fica a dica!) 😉

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Passeadora de cachorros aos 97
Outra inglesa encantadora: Sally, com 97 anos passeia todo o dia 10 cachorros (é isso mesmo, nada menos do que dez, um de cada vez!)
Ela não suporta ficar em casa o dia inteiro. Começou passeando os cachorros dos vizinhos. Há 40 anos é voluntária no abrigo de cães, levando-os para passear cotidianamente pelos arredores. (E pensar que me dá preguiça de sair com minha Golden, a Myla…)
Declara em alto e bom som: “Não me sinto diferente do que quando tinha 50 anos. A idade é apenas um número. É preciso se manter em movimento.”

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Viajante aos 91
Norma é outra senhora que nos dá um banho de sabedoria. Diagnosticada com câncer, toma a decisão de aproveitar o tempo que lhe resta. Rejeita a operação e a quimioterapia e decide viajar pelos Estados Unidos, em companhia de seu filho e nora. Durante um ano, conheceu vários estados e aproveitou cada minuto. Faleceu em setembro desde ano, mas inspirou e continua inspirando várias pessoas a viver plenamente.

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Essas lindas mulheres são exemplos de saúde física e mental. Tomam decisões, seguem pela estrada que escolheram. Estão integradas e participam da sociedade onde vivem. Fazem a diferença.

Estamos envelhecendo. E daí? Cada dia é um presente quando a gente decide estar vivo de verdade. Carpe diem!

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+50 e a Moda

Vocês sabiam que há várias blogueiras de +40 e +50 anos que fazem posts de look do dia? As que sigo são inglesas, americanas ou alemãs; não encontrei nenhuma brasileira +50 para por nessa lista, o que é uma pena. 

Coloquei uma foto por blog para vocês terem uma ideia do estilo de cada uma, pois assim fica mais fácil para escolherem qual site podem querer visitar.

Bom que as mulheres estão se reinventando tão bem, não importando a idade, né? Vamos lá?

A Pocketfull of Polka Dots – Jennie, a forty something gal, energética com seu cabelo em tom super vermelho. Gosto de suas montagens e da alegria que ela  imprime aos looks. Dramática!

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The Sequinist – Lisa tem 47 e como o nome do blog já diz, é a louca por paetês. Estou com ela!! Adorei a combinação da saia de paetês prata com blusa camuflada. Quem diria que isso poderia ficar tão bonito?

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I Won’t Wear Sludge Brown – Donna é minha blogueira favorita da vida! Ela está completando 50 este mês, mora na Inglaterra, tem um humor ótimo, e excelente base para cores. Seus posts de definição de estilos são os melhores que já li. Não perca!

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Wardrobe Oxygen – Alison Gary tem só 41 anos. Inclui-a na lista porque ela tem um corpo mais cheio e é bom vermos alguém assim real, que não tem corpo de modelo. O legal é que isso não a impede de usar bota alta, roupa justa, o que der na cabeça, o que é inspirador para todas. Neste look a manta gráfica foi uma ótima ideia para tirar o jeans e camiseta da mesmice.

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Not Dead Yet Style – Patti é uma blogueira com mais de 60 anos. Achei incrível a ousadia da saia super colorida. Linda! Usaria como ela montou, menos o cinto e o colar de pérolas. Bem resolvida, né?

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A Well Styled Life – Jennifer não divulga idade; uns +50? Escolhi essa foto pelo fato da camisa longa ser de veludo. Acho um tecido maravilhoso e que dá profundidade e riqueza ao look.

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Over 50 Feeling 40 – Pam também tem um corpo pesado e um estilo mais matronal. Dá para perceber que ela se obriga a sair da zona de conforto, como neste look em que misturou couro e uma cor viva.

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No Fear of Fashion – Blogueira alemã, olha que coisa legal! Greetje Kamminga nasceu em 1954 e escreve (em inglês, ufa!) de uma forma super gostosa de ler. Essa blusa de paetês usada de forma casual é um dos meus looks preferidos dela.

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Lady of Style – outra blogueira alemã, Annette, 54. Aqui só consigo ver fotos, ela escreve em alemão. Tem um estilo mais formal e está sempre muito bem arrumada.

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The Barefaced Chic – Do Reino Unido, Michelle Lyndon-Dykes é celta e tem +50. Achei incrível como ela colocou em camadas uma blusa vermelha, uma camisa longa de tecido bem fino (voil?) e uma malha de lã listrada em cores básicas e lindas. Criativa!

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Midlife Chic – Nikki Garnett tem 48 e um estilo clássico. Seu blog é legal por dar muitas opções de outfits, ela tem bastante bom gosto. Amei a blusa prateada com manga até os cotovelos, combinando com o sapato  super chique. Aliás, queria essa blusa AGORA!

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Elegance Revisited – Tiina não conta a idade, se define como uma “Ageless Diva” 😀 – Ela é bem ousada nas combinações de cores e acessoriza muito seus looks. Detesta frio mas passa uma boa parte do ano debaixo de neve, na Finlândia.

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Então, esses são os perfis que escolhi para dividir com vocês. Acredito que todo mundo vai encontrar ao menos uma blogueira que a inspire nos dias de menos ideias.

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